Farra do Boi

sexta-feira, abril 25, 2003


HIV POSITIVO

A maconha sempre foi problema quando o assunto era concentração. Mas ela achava isso charmoso. Ser lesada era bonito, fazia um 'tipo' para os rapazes. Arrumava a melhor, o cúmulo era ter um pé de skunk na varanda de casa. A mãe, doida das antigas, DOIDA MESMO, achava ótimo. Até dava um dois com a filha, mas gostava mesmo era de cerveja de manhã. Tipo quando acordava, ás 9 horas. Adorava ir pra piscina de seu prédio e tomar um suco de cevada no café.

A menina leva a vida desde então. Rejeita o bagulho solto por que "não dá onda". Prefere o prensado paraguaio, prensadão, triste, fedido. Mas a deixava paranóica e isso era "legal". Um dia, no Carnaval, ultrapassou os limites. Tomou não-sei-quantos ácidos, balas e fumou. Tinha uma hora em que não conversava mais. Achou aquilo lindo. "Eu sou muito louca mesmo" - falou para si em voz alta. Suas amigas já tinham pago mico forte com uns caras que estavam lá, só faltava ela. Resolveu que ia investir num moleque de outro estado. O cara era metido a louco, que nem ela, e isso a atraía. Acabaram ficando facilmente, em meio a drogas e bebidas. Transaram no mato, sem camisinha. Diz ele que gozou fora.

Hoje ela é outra pessoa: está no Hospital das Clínicas há 5 anos. Profissional dedicada, é atenciosa com os pacientes. Ganha presente de seus familiares pelo tratamento dispensado. O que ninguém sabe, nem ela, é que seu tempo de doideras deixou sequelas que ainda não se manifestaram. Quem sabe nem irão se manifestar.


quarta-feira, abril 23, 2003


PEDALANDO DE VOLTA DA PRAIA...

...um passarinho falou "oi" para mim. Sério.


terça-feira, abril 22, 2003


EX

Ela era ex de um amigo que viajou pelo mundo. Namoraram anos. Saíamos juntos, em 3. Ou quatro, ás vezes. Bonita, baixinha, simpática. Olhos verdes, morena, mais velha. Safada. Típica mulher que gosta de dar troco, revide. Deve ser Semente no Calendário Maia: não pára de falar um minuto. Sobre os assuntos mais escrotos possíveis: o cachorrinho fresco, a unha que fez hoje, o médico que foi ontem, a malhação diária. Porra de paciência do caralho tem que ter.

Resolveu me dar. Fácil. Como se eu tivesse grana no banco e vida estável. Pelo contrário, estava nos becos da vida, procurando algo a me apoiar. Não queria aventura fácil, apesar de ter gostado daquele lombo e dos seus pequenos seios. Apostei, fiquei, saí, curti. Mas o papo dela fica na memória de maneira traumática. Uma mulher sem, ou com muito, papo são INSUPORTÁVEIS.

Quando a peguei pela primeira vez foi em seu carro, na volta de uma festa. Pagou um boquete e foi até o final, abrindo a porta do veículo para cuspir o esperma. Fui ao delírio com a cena. Depois queria me beijar. Esquivei. Não tava preparado para isso. A segunda foi na casa da minha mãe, quando a peguei de jeito e gozei em seu corpo depois de 40 minutos de sexo tântrico. Foi a popular "uma bem dada", inesquecível, para ela. Boa, para mim, um treino, que encheu meu ego. Mas não rolou sentimento. Não vai rolar sentimento. Pois eu não tenho sentimento por ninguém. Quase não tenho pela minha família. Pelos amigos. Alguns.

Por ex-mulher de amigo não dá pra ter respeito se ela não se der ao. Sempre vi como "homem", mas hoje em dia vejo como voraz criatura malévola. Que chega sem pudor. Que dá o troco, mesmo se não gostar. "Terminou comigo? Vou transar com seus amigos. Foda-se você. Sofra." Hoje estou aqui, quase quarentão. Solteirão. E me lembrei disso, há anos. Já que a vi agora, na rua, com um outro amigo meu.


segunda-feira, abril 21, 2003


É A VIDA

Ela estava animada para vir ao Rio no feriado. Morando em BH, esperava encontrar artistas, ver a moda carioca, ir á praia, viver como uma típica Garota de Ipanema, nem que seja por poucos dias. Comprou biquini novo, já que o seu tava sem uso há meses. Poderia finalmente mostrar sua tatuagem, acima das nádegas, mais precisamente no lombo. Não necessariamente na praia, já que na noite ela também poderia usar uma saia que a deixava á mostra, super charmosa.

Com ajuda das primas cariocas, fez os programas mais descolados da cidade: praia em Ipanema e no Pepê, Cristo Redentor, festinha no Jardim Botânico - quando fumou muita maconha, Baixo Gávea, Lapa.

Na primeira vez que foi no Baixo Gávea encontrou um artista do segundo escalão da Malhação. Nem bonito ele era, mas como namorou uma atriz de sucesso era ansiosamente desejado por ela, doida por um ator. Chegou nele e pediu para tirar uma foto juntos. Ele topou e perguntou daonde ela era, já que não estava acostumado ao assédio das cariocas. "De BH", ela falou, sorridente. O que ela iria falar para suas amigas mineiras ? Estava muito excitada.

No último dia de Rio ela voltou ao Baixo Gávea. O ator estava lá. Como ela já o "conhecia", puxou papo com ele e um amigo que o acompanhava. Sua primas também conversavam. Ela foi com uma roupa que deixava a tatuagem á mostra - um sol tribal, estilizado. O ator chamou-a para conversar ali. Foram, munidos de cervejas. Não foi dificil dar o primeiro beijo. A moça, bonita, estava doida para beijar alguém "famoso".

No canto da rua, os abraços eram fortes. Ele morava perto e a convidou para dar um dois em sua casa, rapidinho. Ela avisou suas primas e foi com ele. Chegaram no apartamento e não falaram nada, saíram tirando a roupa - ela tava doida para dar para um "ator" do Rio. A primeira providência dele foi falar para ela virar de costas: "Quero te comer olhando sua tattoo". Deu duas dezenas de estocadas. Fortes, que a fizeram gemer não só de prazer, mas de dor também. Não foi dificil convencê-la a fazer sexo anal. Ele era um "ator". Apesar de nunca ter feito, topou. Afinal, como ele disse pra ela, "Mulher que tem tatuagem aí gosta de dar o rabo". Chegando o êxtase, tirou o pau e falou pra ela virar que ele ia gozar em sua boca. Dito e feito. Acabado o ato, se vestiram e voltaram ao Baixo. Os dois, exaustos de prazer, sorridentes.

Reencontraram seus amigos. Ela, suas primas. Ele, a "galera". Um de seus amigos chegou de carro e o convenceu a ir pra outro lugar. Ele topou. Olhou pra trás e viu sua 'vítima' conversando de costas com as primas, longe. Entrou no carro e saiu fora, desapercebido.


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